Congresso x Lula: briga de poder pode aumentar a conta de luz dos brasileiros

O embate entre o Congresso Nacional e o governo Lula pode gerar um novo impacto direto no bolso da população: o risco de aumento na conta de luz, caso deputados e senadores revertam os vetos presidenciais à Lei 15.269 — legislação recém-sancionada que busca modernizar o setor elétrico e conter a escalada de custos ao consumidor.
De acordo com a coluna de Diogo Schelp, no Estadão, o Legislativo tem atuado mais por retaliação política e pela pressão de lobbies específicos do que por critérios técnicos ou preocupação social. A oposição tenta marcar posição “custe o que custar”, enquanto o Centrão reforça seu poder político além do que seriam suas atribuições naturais.
Lula, por sua vez, teria optado por não ceder às pressões nem fazer a tradicional articulação política, apostando que o conflito será percebido pelo eleitorado como uma disputa entre elites em pleno ano eleitoral.
Nesse cenário, pautas que poderiam avançar com consenso acabam sacrificadas em troca de demonstrações de força — mesmo quando isso implica prejuízo direto ao cidadão. Esse comportamento ajuda a explicar movimentos recentes como a derrubada dos vetos à Lei do Licenciamento Ambiental, considerada por especialistas um “retrocesso estrutural” e interpretada como resposta política do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após a indicação de Jorge Messias ao STF.
A Lei 15.269 chegou ao Executivo repleta de “jabutis” que criavam distorções por meio de subsídios, reservas de mercado e incentivos sem critério técnico. Segundo o Estadão, essas medidas transfeririam uma conta bilionária para o consumidor. A maior parte desses trechos foi vetada por Lula, mas o Congresso articula para restaurá-los integralmente.
Entre os dispositivos que parlamentares querem reincluir está a obrigatoriedade de contratação de fontes de energia caras e ultrapassadas, como usinas térmicas a carvão — modelos que aumentam significativamente os encargos pagos pelos brasileiros. Caso os vetos sejam derrubados, o efeito deve ser imediato: energia mais cara, mais subsídios cruzados e menor eficiência no setor elétrico.


